o apanhador no campo centeio

Eu acho que desde os meus quatorze anos eu sou interessada por esse livro (e vou logo dizendo que o primeiro motivo não é lá muito bom) porque meu ator favorito na época, Josh Hutcherson, era fascinado pelo tal Apanhador no Campo Centeio e vivia dizendo que queria interpretar Holden Caulfield no cinema, mas aí tem todo o lance que o J. D. Salinger não queria que ninguém além dele mesmo interpretasse o Holden. Faz sentido porque é tão fácil foder com um personagem. Mas aí, passado uns cinco anos eu pude, finalmente, comprar o livro e ontem mesmo eu li.

Acho que a grande maioria já deve ter lido, apesar de não ter certeza se alguém tá lendo isso, então vou partir do ponto essa foi a primeira vez que eu li. A história não tem nada de espetacular, é um fim de semana de um garoto de dezesseis anos, com as particularidades dele e de uma incrivelmente narrada. Holden acabou de levar bomba de novo na nova escola, Pencey, só passando em inglês. O fim de semana é um anterior ao natal, e Holden deveria estar na escola, mas depois de uma briga com o colega de quarto ele vai para Nova York, primeiramente com o intuito de ver a irmã em segredo, já que não poderia estar de volta em casa antes de quarta-feira.

Holden é normal, normal até demais, ele é um adolescente deprimido pra caramba que tem os seus vícios e trejeitos de falar, que vive querendo ligar para a menina que gosta mas não consegue uma só vez fazer isso. Holden odeia muitas coisas, pra ser sincera, mas é aquele tipo de ódio que você espera que te ajude a fazer sentir-se bem, o maior carinho que ele carrega consigo são as lembranças do irmão Allie e da irmã Phoebe. É covarde, pessimista e às vezes se acalma pensando em como poderia morrer e sente raiva ao pensar que as pessoas o visitariam quando morto, mas não quando vivo. Que tem uma dúvida infindável, para onde que vão os patos no inverno? A história é sobre ele. E eu acho que isso acaba tirando a vontade de uma porção de gente em ler, quer dizer, é apenas um dia e é normal, mas acho que é isso que dá a graça a um dos maiores clássicos modernos. A narração é muito real, J. D. Salinger era um gênio narrativo e isso se prova em vários momentos de tudo que ele já fez. Holden Caufield acaba sendo ícone de uma geração e ele é um rapaz normal, que tem medo e que tem vontades e que fuma, leva bomba e lê pra caramba. E ele se sente ordinário e se sente como todo mundo já se sentiu, a adolescência já é normalmente uma droga pra maioria das pessoas, mas acaba sendo, muitas vezes, vista como insuportável de se aguentar um dia a mais sequer. Mas ele é um garoto comum que consegue aguentar uma vida comum, e isso é muito.

O livro é bom e eu adorei tê-lo lido da forma que li e no momento em que li, apesar de todo a minha espera de cinco anos para isso. Tem uma porção de metáforas e a parte final do livro acabou me lembrando pra caramba uma das minhas músicas favoritas King’s Crossing, Elliott Smith, mas eu não achei nada a respeito, então pode ser só um delírio de uma fã, mas o fato é que todo o simbolismo e as metáforas nele contido acabam lembrando muitas coisas, é um livro pra se ler mais de uma vez, de fato, e eu gostei da primeira vez. Quase concordo com J. D. Salinger, ninguém poderia ser o Holden. Mas eu não sei dizer isso e querer dizer isso, porque, ao contrário dele, eu amo cinema. Mas essa deve ser nossa pequena diferença, por isso ele representa uma geração, todo mundo já se sentiu como Holden Caufield pelo menos um dia. Todo mundo já quis fugir para o campo centeio.

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the lizzie bennet diaries

Há mais de um ano eu comecei a ver The Lizzie Bennet Diaries por indicação de um dos blogs que eu acompanhava e eu acabei gostando muito, no entanto, deixei pra trás após alguns episódios, não me lembro exatamente o porquê. Mas aí eu recebi um e-mail do blog Who’s Tanny? da coluna “Vlog-se” e fui ver, só por curiosidade. Acabei encontrando I Didn’t Write This e Classic Alice, que para mim são webséries novas (e que eu acabei gostando bastante), mas o mais importante, acabei reencontrando The Lizzie Bennet Diaries e cá estou contando como assisti mais de cento e trinta episódios em menos de 36 horas.

Como é possível notar, The Lizzie Bennet Diaries é uma recriação de Orgulho e Preconceito, Jane Austen, nos dias de hoje e contado como vlog. Lizzie é a dona do vlog e conta com a ajuda de Charlotte, sua bestest friend que edita os vídeos antes de colocar no canal. Lizzie também nos apresenta à Jane, sua irmã mais velha super adorável e boazinha, e à Lydia, sua irmã mais nova eufórica e energética, bitches. Com representações teatrais quando se trata de ser a Sra Bennet ou o Sr Bennet, vamos acompanhando todo o desenvolvimento da chegada de Bing Lee (sinceramente, a recriação da série é impecável) à cidade, ele traz consigo além da irmã Caroline Lee, o amigo William Darcy.

A Sra Bennet, assim como na história original de Jane Austen, quer casar logo as filhas e fica eufórica quando fica sabendo dos homens ricos e solteiros soltos pela cidade. Quando finalmente eles se conhecem, Bing Lee mostra-se interessado em sua filha mais velha, Jane, e o amigo Darcy mostra-se tão inalcançável e desprezível quanto o nome pode supor. Tudo isso contado pelos ponto de vista de Lizzie em forma de vlog, editando e interpretando cada um dos personagens que não estão lá.

Com o passar do tempo, dá pra ver o afeto que Jane cria com Bing Lee e o quanto Lizzie quer que Jane fique feliz e bem, mas de preferência perto dela, com tudo isso acontecendo, surge Ricky Collins com uma oferta irrecusável! (Mas seria spoiler contar).

A história se passa no século XXI, onde todos deveriam entender que as mulheres não precisam de ninguém além delas mesmas para serem felizes. Lizzie é um amor de pessoa e o carinho que ela tem pelas irmãs é enorme! E, apesar de estarem faltando duas Bennet’s, elas vêm de outro jeito. Kitty como o gatinho de estimação de Lydia e Mary como uma prima da família. Os personagens se desenvolvem muito e é um engano terrível achar que não há apego pelo fato dos episódios terem em torno de 4 minutos. Lydia se mostra muito frágil e todo o lance George Wickham, é bem mais pesado nessa versão (que, aliás, fora incrivelmente bem adaptada e cheia de bons atores). Há uma porção de vlogs-secundários, mas o mais importante é o da Lydia. E eu gostaria de continuar e contar aqui os meus episódios favoritos ou momentos mais chorosos, mas toda a série é incrivelmente maravilhosa e uma fofura de se ver. E toda a ansiedade para – finalmente – conhecer Darcy vale a pena.

 

lola e o garoto da casa ao lado

Lola e o Garoto da Casa ao Lado é o segundo livro escrito por Stephanie Perkins (Anna e o Beijo Francês é o primeiro) e seguindo a linha young adult, Stephanie realmente é uma boa escritora. Pena que as capas dos seus livros, aqui, sejam tão sem graça.

Lola Nolan é uma garota que acredita em trajes, não em roupas. Criada por dois pais, sendo um deles seu tio – biologicamente falando -, namora Max, um rapaz alguns anos mais velhos e mal visto pela família, por ser cantor de uma banda de rock e ter cabelos descoloridos. Tudo andava normalmente, até que os ex-vizinhos de Lola resolveram voltar à casa antiga, à casa ao lado. A família dos Bell (aqueles Bell! Alexander Van Graham Bell, inventor do telefone) é uma família cheia de pequenos prodígios (imagine The Royal Tenenbaums). Mas a vida e o circuito deles é narrado por apenas um, Calliope Bell, uma patinadora artística extremamente talentosa e irmã gêmea do Bell que tira Lola do trilho, Cricket.

A mudança dos Bell à casa ao lado afeta pessoalmente Lola, que sempre fora apaixonada por Cricket, e que, da última vez que se viram, tiveram uma discussão, parece ser algo passageiro, afinal, Lola está compromissada com Max e está terrivelmente feliz com ele. Até que Cricket Bell se declara para ela. As coisas que já estavam balançadas, acabam ficando ainda mais. Lola sempre vestida como se estivesse indo para a festa do último dia de sua vida, cheia de perucas e roupas, acaba se confundindo com todas as fantasias. Sua confusão começa e Max passa do garoto roqueiro que ela ama, ao garoto que ela não sabe exatamente porque está com ela.

Nesse livro tem a participação de Anna e St. Clair! E ter St. Clair foi um grande alívio, já que a Lola consegue ser bem irritante. Acho que Stephanie não é muito amável em escrever personagens femininas, todas parecem demais, é muito irreal. (Não que eu espere que um young adult seja real, mas seria bom que não fosse tão irreal). De qualquer modo, não é preciso do primeiro livro para entender esse, só tem Anna e St. Clair como personagens secundários, Lola é a nossa história. E é a história de Cricket Bell também. E ela tenta respeitar o que ele sente sem obrigá-lo a sentir, mas Lola se sente confusa e quer saber o que fazer da sua vida. Não acha que tem um futuro com Max, apesar de todas as noites planejando uma fuga pra Califórnia, Lola não vê seriedade nisso. Então mantém Cricket por perto, o que é meio terrível sabendo que isso machuca ele, mas isso a machuca também. E demora para que ambos percebam que estão se machucando por tentarem ficar longes quando querem estar perto.

Como se não bastasse o drama da família Bell ao lado, Lola tem que lidar com a sua mãe biológica, irmã de um dos seus pais, ir para a casa dela por não ter onde morar. De uma relação conturbada à uma relação amigável, todos os personagens passam por muitas transformações. Lola espera alguém para sempre, e Max não é assim. Com a ajuda de sua melhor amiga, Lindsey (que acredita ser a nova Nancy Drew), e dos colegas de trabalho, Anna e St. Clair, Lola vai se descobrindo e descobrindo melhor os novos Bell. Calliope não vai muito com a cara dela, enquanto Cricket sofre por ela. Dessa harmonia errada, Lola acaba se descobrindo através dos trajes, descobrindo a verdadeira Dolores por baixo de cada peça.

Com um plano maluco para o baile de inverno, Lola quer ser Maria Antonieta (mais uma citação à Sofia Coppola?) e Cricket a ajuda nisso, enquanto Max acha uma bobagem para jovens. Dessas tentativas em manter a amizade arruinada pelo tempo e por desentendimentos, surge um carinho diferente.

Sinceramente, a Lola consegue ser bem chatinha, mas é normal. Acho o fato de todo o resto ser bem ficcional, deixa que os personagens sejam mais reais. O Cricket é um cara bem, bem mesmo, chato. Não sei, talvez o fato de ele se sacrificar tanto pelos outros, faça – pra mim – um completo otário. Mas, outra vez, quem nunca? Uma coisa eu não posso negar, a tensão sexual entre os dois é bem grande. Lola é uma fofa quando se trata do amor por roupas e costurar, Cricket é apaixonado por invenções. E, juntos, os dois se remodelam e se renovam. E é essa a melhor parte da história.

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anna e o beijo francês

Escrito por Stephanie Perkins, Anna e o Beijo Francês é um daqueles livros que se lê na versão digital antes de dormir, pra ter sonhos com amor e coisa e tal. Eu esperava isso e só isso. Eu fui atrás de ler quando minha amiga disse maravilhas do livro, no seu limite, claro, mas me parecia algo terrivelmente bom pra se passar o tempo e tem vezes que não precisamos de nada além de passar o tempo.

A história é narrada por Anna que fora mandada pelo pai à Paris para estudar e, por incrível que pareça, se sente terrivelmente injustiçada por isso. Apesar de ser algo meio típico, quer dizer, deixar a sua zona de conforto, mesmo que seja pra ir à um lugar como Paris pode ser assustador. Então, deixando tudo pra trás sua família, Bridgitte, sua melhor amiga, e um caso amoroso mal resolvido, Anna parte para Paris. E logo na primeira noite conhece Meredith e Étienne St. Clair, um rapaz lindo e super-americano-europeu.

Anna vai se adequando à escola School of America in Paris, lá ela acaba conhecendo o resto da turma de Meredith: St. Clair., Josh e Rashimi, namorada de Josh. Como todos da escola são americanos, Anna é acolhida por eles com muito carinho e acaba fazendo parte da turma e conhecendo Ellie, namorada do maravilhoso Étienne St. Clair, que todos chamam por St. Clair. Anna nunca negou que se sente terrivelmente atraída por Étienne, quer dizer, ele é lindo e um charme com sotaque europeu. Mas ele tem namorada. E ela tem um caso mal resolvido na sua cidade natal. No entanto, essa atração não cessa, mas acaba sendo a pólvora para os dois se aproximarem, tornando-se, então, melhores amigos. A compreensão neles presente é enorme, Anna tem algumas briguinhas com o seu pai, que vive como escritor que desenvolve romances onde uma doença terminal é sempre o personagem principal, e St. Clair não se entende nada com o seu pai, que faz questão de tentá-lo manter longe de sua mãe. 

St. Clair mostra à ela Paris, a Paris dos antigos filmes que Anna é obcecada, a nova Paris e mostra a ela um lar. Depois de todo o tempo se sentindo descolada longe de casa, finalmente ela começa a se sentir confortável. Até que as férias chegam e a trazem de volta à América, à sua verdadeira casa. Mas muitas coisas estão envolvidas nessa visita. O que separa Anna de casa, a aproxima de um lar, ou seja, Étienne. Porque é assim que ele é chamado por ela. Intimamente.

É possível que lar seja uma pessoa e não um lugar?

Eu devo dizer que gostei – e muito – do Étienne. E adorei ver a paixão pelo cinema que Anna nutre toda as vezes em que ela cita alguns filmes ou diretores, ou sua diretora favorita, Sofia Coppola. O livro é bem escrito e é fácil de se ler, é um Young Adult que tem tudo pra ser bem querido por algumas pessoas. Eu não esperava uma lição como “o que é lar?”, então acabou sendo mais do que eu tava preparada, no entanto, Anna me irritou muito e o suficiente para não gostar muito. Mas ler e passar o tempo, conhecer Paris com Étienne, ter uma percepção de lar, faz com que tenha valido à pena ler o primeiro romance de Stephanie Perkins.

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my mad fat diary

Neste fim de semana eu resolvi ver My Mad Fat Diary. Acho que não é uma coisa nova pra muitas pessoas, afinal, a série iniciada no começo do ano passado se tornou um fenômeno na Inglaterra e no resto do mundo. Eu ouvi muitas vezes as pessoas falando sobre essa série e dizendo o quão boa ela era, mas eu não sou de ir atrás por isso, pela opinião de pessoas que não importam pra mim, até que uma das pessoas que eu mais admiro no mundo me apresentou. E me apresentou formalmente. Me interessei pela série e baixei a primeira temporada (mas só tem duas, vá com calma).

A série é baseada nos diários de Rae Earl que foram adaptados para a tv. A história se passa em 1996, quando Rae tinha dezesseis anos e as coisas pareciam sérias e pesadas demais para ela conseguir lidar. Já começa com a Rae saindo do hospital psiquiátrico depois de quatro meses internada por tentativa de suicídio. Rae é gorda, com uma autoestima baixíssima e um alvo fácil para os adolescentes cruéis da escola que nunca a deixam em paz.

No entanto, assim que sai do hospital, ela reencontra uma velha amiga, Chloe, que aparentemente é perfeita e não tem problema algum. Depois de umas mentirinhas sobre umas férias longas na França, Chloe a apresenta para a gangue. Izzy, que se mostra uma fofura em pessoa; Chop, descontraído e sempre pra cima; Finn, bonitinho mas mal-humorado e Archie, que com todo seu estilo geek acaba virando “alvo” sexual de Rae. E ela, totalmente amável e uma típica jovem, pode ser egoísta e às vezes não sabe como lidar com a mãe (que acaba de arranjar um novo marido). Com receio de enfrentar o mundo fora da ala psiquiátrica, Rae vive voltando ao hospital para se encontrar com Tix, sua amiga com distúrbios alimentares, e Danny. E logo começa a terapia com Kester (que se mostra um amigo e tanto), que tenta a ajudar a entender o que aconteceu durante esses meses em que ficou longe e – mais importante – tenta fazer com que ela se aceite como é.

Creio que a maioria das pessoas já ouviram alguém falando que as pessoas deveriam fazer o que está no seu alcance para se sentirem bens, mas sentir-se bem é realmente se esforçar para se encaixar? Não deveríamos aceitar o que somos e esperar que isso fosse o suficiente? Porque eu tenho que dizer, Rae, do jeitinho que ela é, é o suficiente. Há milhares de pessoas no ouvido dela falando o que ela deve ou não fazer, ou quem vai ou não notar ela, mas ela não é isso. Ela nunca foi essa pele.

A série trata, sim, de assuntos sérios como bullying, gravidez na adolescência, autoflagelação e distúrbios alimentares, tudo isso visto com um olhar adolescente e com o conforto que ter amigos traz quando passamos por algo assim. Tudo isso acompanhado por uma trilha sonora magnífica.

 A partir daqui contém spoilers.

Rae se apaixonando lentamente por Finn. Se apaixonando, e não desejando. Porque, devo dizer, quem é que não o desejaria? Mas não é isso, não é essa parte. É o fato de existir Rae & Finn. O casal que julgam improvável, impossível por serem diferentes fisicamente, por carregarem um monte de preconceito numa coisa tão linda como o amor, assim como fazem com Archie quando ele se assume gay. Esse monte de preconceitos horríveis e impondo a você o que você não é, fazendo você se sentir como se não valesse a pena.

Mas temos o Finn, e desde a cena em que ele foi à casa dela de moto, eu fiquei caída por ele, mas o primeiro beijo ou o dia em que eles ficaram trancados no banheiro e todas as coisas maravilhosas que o Finn diz – AQUELE DIA! – e todos e quaisquer outros momentos em que o Finn não se importou com o que fossem dizer, se importou com Rae e com o amor que nutriu por ela. Eu sempre me apaixono por personagens, é inevitável, mas esse é o tipo de personagem que todos deveriam ter um dia consigo. Ele tenta lembrar a Rae de que ele a ama do jeito que ela é, mas às vezes é difícil aceitar algo bom quando achamos que merecemos o pior, quando o mundo diz que você não é bom pr’aquilo. Com a ajuda de Kester, Rae consegue ver a garotinha indefesa de dez anos que ela machuca quando se machuca, que ela ofende quando ela decide ouvir os outros dizendo que não vale nada. E, de uma forma estranha, a ajuda lembrar que vale à pena e, que é, sim, uma obra de arte. 

E esse é um trabalho diário, aceitar-se, deixar de ouvir – por mais alto que seja – o mundo hostil e começar a ouvir as pessoas que têm amor por você. Se confortar e conseguir enxergar o brilho por trás do seu corpo.

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but i love him

Eu estou numa época literária meio especial, onde eu ando fascinada por ler na língua original. O que é basicamente ler em inglês, já que é a única língua que eu consigo ler tirando nosso português. Isso me leva a livros que eu não teria acesso se eu não tivesse me desafiado. Dessa vez o livro foi But I Love Him, escrito por Amanda Grace.

Descobri esse livro através do canal Little Book Owl demorei um pouco para achar o ebook, mais pra achar do que pra ler, pra ser sincera. E o li. Terminei ontem, considerando que agora já passou da meia noite e eu provavelmente só postarei isso pela manhã (ou tarde. Eu quero um descanso da escola! [ou no domingo, argh]).

But I Love Him é uma leitura perturbadora e dolorosa, talvez essa seja a razão pela qual o engoli em algumas horas e sinto como se tivesse digerido muito. É muito. O livro põe em pauta relacionamentos amorosos destrutivos que muitos jovens – e não jovens – sofrem todos os dias, que as pessoas encaram como realidade dura e não como agressão humana, ou não encaram at all. A história é contada em ordem cronológica inversa por Ann, a protagonista, que no aniversário de um ano de namoro com Connor é selvagemente agredida por ele. E essa não é a primeira vez. Sozinha e quebrada, uma onda de pensamentos a invade e tenta ajudá-la a entender como chegou ali. E nessa ordem, de trás para a frente, a autora nos apresenta o caminho que o casal percorreu até o ápice.

I wonder if he realizes what it means, that he’ll always have a piece of me no matter what happens. Each piece of glass is another piece of myself I gave to him.
It’s too bad I didn’t keep any pieces for myself.

Como em todos os relacionamentos, não há como manter apenas com uma pessoa. Ann, órfã de pai, carente de atenção de mãe, conhece Connor, um rapaz deprimido e agressivo, que acaba canalizando toda a sua raiva em bater em coisas, não em pessoas. Ann se sente como um anjo da guarda dele, como a pessoa que deve ajudá-lo a permanecer vivo e no caminho certo. E encontra nele uma razão para ela mesma não desistir de lutar por pessoas, como ela acha que desistiram dela. Durante todo o livro, em todo o momento mesmo, dá pra sentir a ânsia que Ann tem em tentar ajudar Connor, a vontade de continuar acreditando nele e permanecer com ele para sempre.

Não tem como não se sentir mal por Connor. Toda a dor que ele carrega consigo e não deixa ir, todo o rancor e as cicatrizes emocionais que ser agredido e ver a sua mãe sendo agredida pelo próprio pai possam deixar. O medo da história se repetir. A raiva que toma conta da mente e dos pulsos. Um ciclo vicioso. A história que se repete. Ann descreve Connor de diversas maneiras, porque ele é assim, ele não é apenas um. Mas a esperança que o antigo Connor volte e dessa vez fique é sempre maior que o medo do novo Connor, do que não consegue controlar a sua raiva, do que joga nela culpa e palavras cruéis.

O livro é triste por inteiro. Há partes em que as coisas parecem leves e aquele é um dia bom, mas é só um dia, a realidade de Ann e Connor não é leve, é pesada, é terrível e dolorosa. A história mostra como uma pessoa pode desistir de tudo quando acha que outra pessoa vale mais do que ela mesma. A Ann de antes queria ir pra faculdade, corria e competia no time da escola, tinha amigos e, por mais difícil que esse relacionamento fosse, morava com a mãe. A Ann de antes, quando viu a mãe de Connor pela primeira vez, não entendeu como aquilo poderia acontecer. A Ann do presente se vê uma cópia dela.

A necessidade em se sentir amada é imensa, Ann abandona a sua vida por alguém que ela acredita merecer uma Ann melhor do que a que ela merece. Divido em capítulos que nos levam ao início e mesclados com relatos do aniversário de um ano, o dia em que as coisas mudam.

I’ve survived so far. And I have a choice to make.
I have to decide who I love more: me or Connor.

Uma narração genial de Amanda Grace que resolveu distribuir em ordem cronológica contrária justamente para mostrar que até mesmo as pessoas que acham que essa é uma armadilha impossível de cair, às vezes caem. E que por medo de ficarem sozinhas, acham mais fácil continuar. Esse amor que não pode ser considerado amor, esse vício e essas obsessões que não deveriam acontecer em nenhum relacionamento. Esse é um ótimo livro e eu faço parte das pessoas que acha que deveria ser traduzido e espalhado por aí. A insegurança que persegue a vítima é gigantesca. Às vezes o agressor sofreu muito no passado, isso faz com que ele precise de ajuda também, mas não diminuiu o seu erro. Violência é sempre um erro.

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ficando longe do fato de já estar meio que longe de tudo

Como meu primeiro livro – comprado – escrito por David Foster Wallace, Ficando Longe do Fato de já Estar Meio que Longe de Tudo acabou suprindo todas as expectativas que eu tinha sobre. E devo dizer que não eram poucas. Logo no primeiro ensaio, homônimo ao livro, dá pra sentir toda a ironia e o sarcasmo transcendente. A história se passa numa feira rural no interior de Illinois e tudo que pode ter a ver com isso. Mandado pra lá pela revista Harper’s, David relata – como num diário – o que vê e o que sente numa feira onde tem o privilégio de ser jornalista e comer de graça, onde vê as coisas de um ângulo diferente e entrevista pessoas que amam aquele tipo de feira. De um porco sucumbindo à vontade de comer carne e todo o caminho entre isso, a nossa hipocrisia em sentir culpa em ver e não em financiar. Infelizmente, não me encaixo na parte das pessoas em que se põe em defesa dos animais a ponto de se tornarem vegetarianas, mas sentir esse pensamento florescendo na escrita é uma coisa que quase me motiva a fazer o mesmo. Acompanhado por Acompanhante Nativa, segue a semana na feira, nos contando como ela flerta com os caubóis ou não se importa com o fato dos caras do brinquedo a virarem de ponta cabeça para “apreciar a visão privilegiada” e como algumas mulheres se divertem em exigir os seus direitos (que é de fato uma diversão) e outras acham que isso é um impasse. O comodismo não racional e todo o medo em perder quando se quer algo do seu direito.

O segundo conto – Uma Coisa Supostamente Divertida que eu Nunca Mais Vou Fazer – se passa num cruzeiro de luxo pelas ilhas do Caribe onde David é mandado, novamente, pela revista Harper’s para relaxar, ficando durante uma semana acompanhando os passageiros e todos os trabalhadores dessa gigantesca máquina. Dos garçons metidos à gastropedantes aos que simplesmente querem que as coisas funcionem bem. O prazer que está instalado em fazer o seu trabalho bem, não em beneficiar alguém. Um garoto com uma peruca ou a derrota no xadrez para uma menina de nove anos. A vida, não? No fato de se sentir impotente e uma criança insatisfeita (como a criança insatisfeita que carregamos dentro de nós, aquela que é capaz de abrir um berreiro no meio do supermercado por não ter o que quer), essa criança e esses sentimentos voltam por simplesmente não ter autonomia num lugar assim, desenvolvendo nele – e sendo explicado por suas palavras sarcásticas – uma agorafobia. Um adulto mimado em alto mar, se sentindo preso às tarefas que não existem para ele, onde não há o que ser feito, pois há um encarregado para cada coisa. Sua única tarefa é se divertir, relaxar. E, assim como DFW, eu também não conseguiria, o que fez com que eu me identificasse em alguns momentos com ele – tirando a parte genial da coisa. Escrevendo notas de rodapés – creio que as pessoas saibam dessa sua fama – gigantes e detalhando nelas ainda mais, mas nunca desnecessariamente, seus sentimentos e aflições durante uma semana inteirinha de uma suposta paz.

O terceiro ensaio, Alguns Comentários Sobre a Graça de Kafka dos quais Provavelmente Não se Omitiu o Bastante, fala com muito sarcasmo e ironia sobre a ideia errônea que temos quando pensamos em humor. Que o humor deve ser um entretenimento, e que entretenimento tem que ser – necessariamente – agradável de se presenciar.  Pense na Lagosta foi o mais angustiante dos ensaios, a tortura de um animal para saciar o nosso paladar e tudo envolto nisso. A culpa que sentimos mas que não nos impede de continuar e, mais uma vez, de financiar.

Isto é Água é talvez o que considero um mantra. O livro todo se encaixou de alguma forma comigo, não com o que eu sou ou com o que eu pretendo ser, mas com algumas características que eu e David Foster Wallace dividíamos. Toda a sua graça em simplesmente mostrar que o defeito humano é não reparar que o defeito é humano e não pessoal. O egoísmo e todo o medo que sentimos, a falta de controle do que nos move, os pensamentos, e a urgência que sentimos em ter tudo na hora que achamos que tudo nos caí bem. Por os outros no nosso caminho, quando também somos “os outros” para alguém. Na incapacidade de não conseguirmos ver o que está na nossa frente, o que nós somos. Como este foi um discurso de paraninfo que acabou sendo impresso, há uma certa transformação em algum tipo de condutor de luz. Um maravilhoso condutor de luz.

Federer como Experiência Religiosa nos mostra o lado fangirl (posso falar isso sem parecer patética?) de David em relação ao mundo do Tênis. Como uma pessoa que já praticou esse esporte, entendo o fascínio. A velocidade da bola e os truques para se manter concentrado. Mas mesmo para alguém leigo em relação a esse esporte, DFW conseguiu colocar emoção e verdade em todas as suas palavras, uma admiração enorme e chega a comparar com música. E faz sentido. É música para ele. O barulho do tênis e toda a harmonia nele presente. É arte. E o corpo que faz essa arte.

As notas de rodapé me fizeram conversar com David Foster Wallace e com Daniel Galera, claro, a verdade está lá e não é pequena. Notas de rodapé gigantescas e cheia de conteúdo em letrinhas miúdas. A necessidade que David sente em relação a escrever é imensa e notável, não só pelo romance Infinite Jest com mais de mil páginas, mas por tudo que ele coloca em palavras não usuais e em frases montadas para fornecer, em metáforas e em toda a forma de linguagem que ele foi capaz de encontrar (e não foram poucas!), histórias e relatos magníficos. Um livro que me atraiu por causa do título enorme e da capa bem feita. Mas essa não consegue ser nem a pontinha do iceberg.

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will & will

Pra quem nunca tinha lido uma parceria antes, eu gostei dessa maneira de se escrever livros, mas, sério, não há como desgostar se tratando desse livro.Will & Will conta a história de dois Will’s Grayson, cada um com sua particularidade e sua personalidade, ambos com inseguranças devido a adolescência e as escolhas iminentes, cada um com o seu jeito de enfrentar a realidade e a fantasia. O livro é contado pelo ponto de vista dos dois Will’s, alternando de autor para autor em cada capítulo, começando com Green e terminando com Levithan. A fórmula perfeita.

O Will Grayson escrito por John Green é um menino de dezesseis anos cheio de inseguranças que acredita que ficar calado é a melhor maneira de se manter invisível o que é muito difícil de se conseguir por 1) ter um amigo como Tiny Cooper, alguém capaz de escrever um musical inspirado na própria vida e 2) tê-lo defendido e assinado esta defesa. O segundo Will, escrito por Levithan, é um garoto com tantas inseguranças quanto o primeiro, mas com uma forma muito auto-destrutiva de lidar com elas. Vivendo apenas com a mãe, sem amigo nenhum e com muitos remédios, seu único alívio é a paixão que nutre por Isaac, um amigo virtual que quer conhecê-lo logo.

E, assim, da forma mais inesperada e estranha possível, as vidas desses dois Will’s Grayson se cruzam. Ligados por um nome e por Tiny. O grande, literalmente falando, produtor-ator-diretor da peça Tiny Dancer se apaixona, mais uma vez, por alguém: O Outro Will Grayson, o de Levithan. Enquanto o Will de Green se esforça para entender-se e ver o que quer, se quer ou não uma chance com Jane, membro da Aliança Gay-Hétero, o outro Will não sabe como lidar com isso tudo, com Maura e sua não-amizade com ela, com essa negação toda e com a chance de estar sendo mesmo amado pelo que é.

O livro é de uma inteligência absurda, cada página que eu lia eu me apaixonava mais, não só pela história, mas pela sua essência; pela escrita de Levithan que eu não conhecia, por cada trecho carregado de palavrões, ironia e melancolia por ele colocado; por Tiny, sua excentricidade e persistência em aceitar-se, ou pelo menos em tentar. Pelas pequenas-grandes mudanças do Segundo Will a partir do momento em que os xarás se encontraram, por cada letra maiúscula que este deixou de pôr (mais uma vez provando a sua introspecção e insegurança), pela realidade fraca-porém-constante de seu mundo.

E, sim, há muito sobre relacionamentos homossexuais, afinal, Tiny é um tremendo amante de pessoas, a cada dia há uma nova paixão, uma entrega constante de si mesmo à cada balanço abandonado que ele pôde encontrar, mas esse não é nem de longe a trama principal do livro. Há amor entre pessoas do mesmo sexo, entre homem-mulher, mãe-filho, amigo-amigo, pai-filho, pessoa-pessoa, há amor por todo lado! O livro é maravilhoso, colocando à mostra a auto-aceitação, a depressão, a amizade e tudo que possa haver no universo de um adolescente (ou de qualquer pessoa) de uma forma muito bem balanceada, reflexiva e descrito de um jeito completamente natural, afinal, os personagens são muito mais do que ficção. E talvez, ao ler esse livro, alguém encontre um gato morto, mas a certeza é a melhor opção. Sempre. E eu aposto que o gato estará vivo.

– Você tem a maneira mais estranha de dar em cima de mim, Tiny.
– Eu jamais daria em cima de você, porque você não é gay. E, assim, garotos que gostam de garotas são, por natureza, sem graça. Por que gostar de alguém que não pode retribuir o seu amor?

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nada

Eu fiquei sabendo desse livro quase sem querer, eu apenas o vi em algum site enquanto olhava alguns livros, e então eu achei a capa maravilhosa (mas não tem como não achar essa capa maravilhosa, tem?) E esse título… Tão vazio e tão forte. E muito, muito pesado. Assim como a história que, aliás, não vejo uma outra forma de descrevê-la sem usar a palavra “pesada”. É um livro extraordinariamente pesado, macabro e até aterrorizante em alguns momentos, mas incrivelmente maravilhoso. E creio que para digeri-lo, é necessário, no mínimo, um estômago forte.

A história começa a partir da afirmação de Pierre Anthon: “Nada importa”. O garoto do sétimo ano sai da sala pra nunca mais voltar deixando atrás dele a porta semiaberta, como um sorriso convidativo. Pierre, não satisfeito em deixar uma angústia sob todos os colegas, de cima da ameixeira de sua própria casa os questiona todo o dia sobre o que importa, tentando induzi-los a ver o mundo como ele. Dali em diante a vida de cada colega de Pierre está prestes a mudar, eles resolvem se juntar para formar uma “Pilha de Significados”, onde cada um tem que se desfazer de algo importante para então mostrar a Pierre as coisas que importam. A pilha começa com coisas simples, as crianças vão de porta em porta pedindo por fotos ou objetos importantes, até que o primeiro “sacrifício” é oferecido, uma pilha de livros da série Dungeons & Dragons e uns tamancos verdes da nossa narradora, Agnes. No entanto, as ofertas começam a ser cada vez maiores. Mas, qual é o limite pr’aquilo que importa?

É de arrepiar o que pequenas crianças puderam pensar, ofertar e obrigar os outros a fazerem o mesmo. Tudo começa com uma prova de que há coisas que importam, mas oferecer tudo o que importa, não tira a importância dela? Janne Teller, escritora dinamarquesa, escreveu uma história brilhante, com personagens incríveis e intrigantes. O fato de serem apenas crianças é o que faz desse livro ainda mais pesado. A criança, o símbolo da inocência, como o símbolo de loucura, da rebelião, da perdição, ela escreveu uma história maravilhosa que tem como personagem principal a nossa mente e os seus limites, talvez por isso Nada fora banido temporariamente na Escandinávia, como citado na contracapa do livro. Provavelmente não estamos preparados pra ver o mundo como Teller o escreveu, porque, nesse mundo, não há a certeza de que algo importe. E lidar com isso é aterrorizante, tal como na história; mas indispensável, assim como o livro.

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o futuro de nós dois

Eu não costumo comprar livros desse gênero comediazinha-sobre-coisas-do-presente do tipo O Futuro de Nós Dois, eu leio (e amo!), sim, mas normalmente por PDF. Esse deve ter sido o primeiro livro que eu não esperava nada além de uma comediazinha romântica que eu compro. E, eu juro, não me arrependo um segundo sequer. A história é contada em primeira pessoa, revezando entre Emma e Josh de capítulo para capítulo. Acho, também, que esse foi o primeiro livro com dois autores –  Jay Asher e Carolyn Mackler – que eu já li, eu até ia pesquisar, tentar me lembrar para ter certeza, mas não me lembro ao certo, então vou considerá-lo como o primeiro e, devo dizer, não achei que fosse dar tão certo.

Emma ganhou um computador do seu pai que se mudou para longe e foi viver com uma outra família, é 1996, ter um computador é algo grande, não é como hoje em dia que em cada casa há pelo menos dois computadores, há internet sem fio e celulares com wi-fi, é 1996, uma realidade que ficou pra trás há alguns anos e, a cada palavra que eu digito, ela fica ainda mais para trás. Josh é o ex-amigo-ainda-vizinho de Emma, ele ainda é encantador e adorável, apesar de distantes, Josh leva para Emma um CD daqueles em que havia acesso à internet gratuito por algumas horas. Graças ao CD e à internet, Emma consegue ter acesso ao Facebook, mas muito mais do que isso, ela tem acesso ao futuro!

O futuro acaba unindo Emma e Josh novamente, apesar de ainda não terem compreendido totalmente o passado, afinal, Josh acabou confundindo as coisas com Emma e acreditou piamente que ela queria mais do que só amizade com ele. Ela não queria. De qualquer forma, mesmo com esses acontecimentos, Josh e Emma se unem para desvendar um pouco mais sobre o Facebook e, com ele, o futuro de todos. Emma só conta a Josh sobre o Facebook, nem a sua melhor amiga, Kellan, fica sabendo. Kellan já namorou Tyson, que é o melhor amigo de Josh, e nessa época, antes do incidente Millicent e Clarence separá-los, todos eram grandes amigos. A partir desse segredo é que ressurge o passado e, com ele, o futuro.

Eu adorei a história e li bem rápido, não posso dizer que é mais do que uma comediazinha romântica que tem como plano de fundo um grupo de amigos, no caso: Emma, Josh, Kellan e Tyson, onde a amizade se confunde e acaba estragando tudo. Ou consertando tudo. Kellan e Tyson chegam a ter um relacionamento curto-porém-intenso no mesmo verão em que Josh decidiu investir em Emma. O futuro é o fio condutor da história, visto que a realidade ainda está no presente e o futuro que eles vêem no monitor depende totalmente das decisões atuais (de 1996, no caso). Dá pra metaforizar bastante a partir disso, e acredito que isso possa ter servido como inspiração, afinal, a gente vive no futuro, mas ao mesmo tempo vivemos o presente e este é o mais preciosos dos tempos. Me interessei por esse livro por ter sido meio-escrito pelo Jay Asher, autor de Os Treze Porquês, e sinceramente me surpreendi pela diversidade literária que esse cara tem, afinal, os livros têm histórias, formas, personagens completamente diferentes e ainda assim há uma coisa em comum muito maior do que o fato de serem narrados por duas pessoas ao mesmo tempo, que apesar de ter muitas diferenças no estilo das narrações, é o que acontece. E eu não sei que coisa é essa.

O desenrolar da história, por se tratar de dois autores, me surpreendeu bastante porque dá pra perceber a harmonia que há entre eles. Emma e Josh me encantaram demais e a cada capítulo dá pra notar e sentir melhor a confusão presente neles, afinal, o que eles querem do futuro? Emma acha que sabe o que não quer, Josh ama o que vê no Facebook dali a 15 anos, mas não consegue sentir-se feliz por ter isso como futuro. Eu shippei (e muito) eles e a minha única ressalva em relação ao livro é: adoraria que tivesse tido mais romance. Fora isso, eu sinceramente indico pra quem queira algo mais leve ou queira ler alguma coisa – qualquer coisa que seja –, apesar de que dá, sim, para metaforizar bastante a partir disso. Mas eu metaforizo sobre tudo, então não sei se vale como consolo. E, ah, eu acabei fazendo uma playlist com as músicas que são citadas no livro. Super combina com o clima levinho do livro.

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