a culpa é do young adult?

by livraisse

À essa altura, é quase desnecessário tentar explicar a referência do título à alguém, a maioria conhece, a maioria ama. Iniciei no mundo de John Green com Quem é Você, Alasca? (um dos meus livros favoritos, por sinal) lá em 2010, na época ainda não havia Hazel e Gus, na época era o único livro traduzido pro português. Os livros do John Green acabara criando uma espécie de clube de novos leitores, o gênero Young Adult agora está em exposição na livraria da minha cidade, antes ocupada por gêneros de auto-ajuda. Há muitos, muitos e muitos livros na mesma linha Young Adult por aí, muitos não traduzidos, muitos nacionais, muitos nas livrarias de todos os lugares, sempre houve, no entanto, temo em dizer que John Green abriu as portas para muitos se envolverem nesse gênero, acho que ele abriu as portas para mim.

Há uma semana saiu um artigo onde a autora criticava toda a glória do Young Adult dizendo que os Adultos – os crescidos e que amadureceram – mereciam mais que livros bobos escritos para adolescentes bobos. Eu não poderia discordar mais, depois de ler um post no blog So Contagious, eu decidi que tentaria pelo menos escrever o quanto esse gênero pode ajudar. Não cresci lendo Harry Potter – o que me incomoda e muito, eu adoraria ter ficado esperando pela minha carta de Hogwarts que jamais viria (estou tirando do atraso agora, mas ainda assim…) –, não li Meg Cabot quando tinha treze anos, só fui ler O Diário da Princesa aos dezessete. Sempre fui fiel aos filmes adolescentes estrelados por Amanda Bynes ou Lindsay Lohan, à magia de Sabrina e suas tias e à doçura fofa da Hilary Duff na pele de Lizzie McGuire, mas eu não cresci lendo o que eu cresci vendo. Me lembro de na primeira série ganhar uma espécie de certificado por ter lido muito na biblioteca da escola, mas eu não lembro muito, me lembro da Bruxa Onilda e de uns livros grandões, grandes demais para a bolsa de qualquer criança com oito anos. E eu queria voltar no tempo e me entregar uma cópia de Harry Potter e me obrigar a ler, por que ninguém nunca fez isso? Eu devo ter lido muita coisa que não entendi na época e que pretendo reler, pra ver se entendo, eu li Os Miseráveis tão nova que me irrita, eu queria ter crescido com Harry Potter e ter tido acesso à mais Young Adults do que eu tive aos treze anos. Por que esse é um gênero tão discriminado? Pelo quê, exatamente, as pessoas temem?

young adult

tenho orgulho em dizer que essa não é nem metade da minha coleção young adult (mas é o que cabe na minha mini-estante virados para a frente).

Já li um montão de coisas a respeito de “Young Adult não ser literatura”, nesse caso, te pergunto, o que é literatura? Meu professor favorito de Literatura () disse em sua primeira aula que tudo impresso é literatura, que muda o gênero, mas a literatura está ali. Concordar com ele, ou não, não é exatamente a questão, o ponto é que as pessoas querem filtrar os gêneros que as pessoas lêem, elas não querem dar o direito às pessoas a escolherem o que vão ler – ou não. Por que é visto tão erroneamente trocar Dostoiévski por John Green? A troca não é eterna, ler um gênero não te impede – nem vai impedir – de ler todos os outros. Sair de A Cidade e as Serras (que está sempre presenta na lista de leituras exigidas pelo vestibular) e ir para Eleanor & Park não faz de você nada além de humano, um humano que escolhe o que vai ler e quando vai ler. Isso sem levar em consideração que ler um livro exigido pelo vestibular pede muito mais – e enerva muito mais – do que ler um bom Young Adult. Sem entrar nesse tópico, o que é bom, então? Ver apenas filmes do Bergman e nem saber quem foi John Hughes? Saber de cor poemas da Sylvia Plath enquanto não se sabe nada sobre Regina George? Se é isso que faz alguém feliz, que o faça, mas por que o preconceito com o que é feito atualmente? Por que os Beatles não podem ser comparados com ninguém, enquanto Justin Bieber, One Direction e Backstreet Boys são a mesma coisa?

Eu tenho essa pequena teoria meio que formulada, meio que inacabada, que tenta provar que uma porção grande das pessoas tenta levantar uma casa em bases firmes, o clássico dá mais segurança, nada é clássico à toa. Estou de acordo, mas por que o preconceito com a descoberta do novo? Por que leitura não pode ser também entretenimento? Eu não seria a pessoa que sou agora se não fosse a minha eu de 2010 se apaixonar por Orgulho e Preconceito (o filme de 2005) e ir atrás do livro, mas ficar encantada com uma capa bonita e com o título Quem é Você, Alasca? e levar os dois. Ler o que se quer, não faz mal; ler clássicos e ter noção da importância que eles têm para uma porção de coisas atuais, é incrível. Conhecimento é algo que não deve ser negado, ser apaixonado por um gênero e não invadir nenhum outro, é covardia.

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