hermann hesse

by livraisse

Bom, o título já sugere que eu vá falar do autor e não de uma obra apenas, isso se deve à minha recente leitura d’O Lobo da Estepe, mas que antes de ser concretizada por completo, teve a presença de Sidarta, uma outra obra do ganhador do Nobel de Literatura, Hermann Hesse. Enquanto eu lia O Lobo da Estepe, fui recomendada a ler primeiro Sidarta, que essa seria uma maneira melhor de eme introduzia às obras de Hesse, e assim o fiz.

Sidarta

Escrito por Hermann Hesse. Editora: Record; 175 páginas. Traduzido por Herbert Caro.

Sidarta é a história de um homem em busca da liberdade espiritual, filho de brâmanes, sempre teve acesso à educação e sempre se destacou entre os demais, no entanto, falta a ele alguma coisa e juntamente com seu amigo fiel, Govinda, vai em busca dessa liberdade, do seu Eu perfeito. Depois de algum tempo, ele conhece outro Sidarta, Buda, que conseguiu chegar ao nirvana; sendo essa uma criatura única e um acontecimento, Sidarta resolve continuar sua jornada pelas terras indianas, peregrinando e jejuando, chega até uma floresta e conhece Maya. Ela dá a Sidarta todos os excessos em matérias, mas isso não faz com que ele se sinta completo, faz com que ele queira morrer.

O livro é bem fácil e contém uma porção de filosofia budista que Hermann Hesse aprendeu quando fora a Índia, anos antes de escrever o livro, colocando personagens como metáforas, dando a um personagem toda uma vida e uma carga relacionada ao Karma. Sidarta faz com que seu ego consiga sentir tudo num “Om”, sua vida e seu sofrimento numa crença.

Foi nessa hora que Sidarta cessou de lutar contra o Destino. Cessou de sofrer

O Lobo da Estepe

Escrito por Hermann Hesse. Editora: Record; 252 páginas. Traduzido por Ivo Barroso.

O Lobo da Estepe é a história de Harry Haller (H.H., assim como Hermann Hesse, seria essa uma dica do seu alter-ego?), um quase cinquentão, infeliz e que se sente o tempo todo deslocado da sociedade da época (1927), se sentindo quase sempre em conflito consigo mesmo, após receber um “tratado do lobo da estepe” crê que dentro dele há um humano e um lobo, e sempre que um está dominando mais, o outro quer o poder, por isso está numa constante guerra com a sua própria alma.

Por ter passado a maior parte da vida assim, sofrendo, Harry acha que a saída para isso é aos cinquenta anos cometer suicídio, velho e cansado, sem fé no amor ou que as coisas possam ser mais fáceis, vai vivendo com seus livros e vícios até o encontro do Circo Mágico – só para os loucos, só para os raros. Entrada ao preço da razão. E com esse encontro, também conhece Hermínia. Com o despertar do novo, Harry consegue ver uma porção de coisas que não achava ser capaz de notar, aprender a rir é aprender a viver.

O personagem vivido por Haller vive num infindo sofrimento onde a burguesia corrói, mas é necessária; onde desapegar do velho é dar abertura ao novo e, muitas vezes, perigoso. Com a impressão que uma outra guerra está por vir, Harry vive uma infinidade de coisas quando achou que já não fosse mais capaz de socializar. Hermínia mostra-se uma alma em duelo assim como Harry, mas com um jeito diferente de lidar com isso, os personagens são tão reais que talvez seja por isso todas as especulações sobre o alter-ego de Hesse. O Lobo da Estepe não é um livro fácil, mas creio que indispensável. Hermann Hesse escreveu uma obra atemporal e maravilhosamente triste.

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